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Nova York, a capital da comida saudável e dos orgânicos

Os Estados Unidos são a meca do fast-food, certo? Depende. Essa afirmação pode valer para boa parte do país, mas não serve para Nova York. É claro que a cidade também tem muito hambúrguer e batata frita, mas a moda, agora, é a comida natural e saudável. Mais ainda: feita com ingredientes orgânicos, ou seja, sem agrotóxicos e cultivados de acordo com normas de respeito ao meio ambiente. Nova York sempre teve uma “veia” orgânica, é verdade. A tradicional feira de orgânicos da Union Square às segundas, quartas, sextas e sábados, a Union Square Greenmarket, por exemplo, existe desde 1976. Mas isso era uma tendência isolada, restrita ao povo mais alternativo de East e West Village. Atualmente, é um fenômeno presente em toda a cidade. Essa moda pegou, mesmo, de cinco anos para cá.

Frequento Nova York há 13 anos e a transformação no quesito comida é notável. Quando estive ali pela primeira vez, em 2000, não havia muita escolha: as opções eram barbecue com molhos fortes, hambúrguer, batata frita, cachorro quente. Até dava pra achar algo mais “verde”, mas era preciso procurar muito. Em 2005, já havia mais restaurantes por quilo servindo legumes e verduras e lojas de conveniência vendendo frutas. Notei a palavra “orgânicos” nas fachadas dos restaurantes e nas embalagens dos alimentos nos supermercados pela primeira vez em 2009. E hoje, parece que a cidade inteira respira organics. A cada esquina há uma banquinha de frutas e legumes frescos, “sem agrotóxicos”, entre eles tomates, morangos, bananas e maçãs.

Ao descer de Midtown ao Chelsea pela 7a Avenida, contei 14 restaurantes e mercadinhos de comida orgânica (na própria avenida e nas transversais). Um deles, o Green Tomato (295 7a Avenida, esquina com a W 27th Street, 212/352-9174), tem um bufê de legumes e verduras fresquíssimos, sanduíches naturais, wraps e saladas deliciosas para levar pra casa (ou para o hotel, no meu caso). No Foragers Table (233 8a Avenida, 212/243-8888, foragerscitygrocer.com), que serve pratos como salada de morangos com rabanetes e coentro e frango assado com polenta e cogumelos, os ingredientes vêm semanalmente de fazendas orgânicas do Hudson Valley. Ao lado fica a loja de vinhos orgânicos do restaurante. Lugares badalados, como o Le Pain Quotidien (69th Street, 646/233-3768, lepainquotidien.us), este dentro do Central Park, também exibem menus com itens orgânicos – no caso, cafés, chás, suco de laranja, limonada e leite de soja. E, nas lojas de conveniência, dá para achar embutidos sem conservantes ou aditivos químicos.

Além de comida, há vários mercados orgânicos vendendo xampus, condicionadores, cremes para o rosto e para o corpo, aromatizantes de ambientes e buchas para banho. Muitas lojas de roupas, como a Patagonia (426 Columbus Avenue, 800/638-6464, patagonia.com), de moda esportiva, têm peças feitas com algodão orgânico. Em Park Slope, no Brooklyn, dei de cara com uma lavanderia… orgânica! A Dry Cleaners (Prospect Park West, 718/300-0208), aberta em fevereiro deste ano, exibe na porta uma placa em que está escrito: “lavagem orgânica a seco”. “Utilizamos dióxido de carbono  em vez de água na lavagem”, explicou o funcionário Kenneth Wu. “Com isso, não desperdiçamos água e não agredimos o meio ambiente”, disse.

Mesmo as empresas especializadas que já existem há tempos viram seu negócio prosperar nos últimos anos. “De cinco anos para cá, nossa clientela dobrou”, disse James Buckingham, gerente da loja Perelandra (175 Remsen Street, 718/855-6068, perelandranatural.com), no Brooklyn. “Notamos que as pessoas decidiram mudar seu estilo de vida e estão mais preocupadas com a prevenção de problemas de saúde e com a qualidade do ambiente em que vivem”, disse ele. Não posso afirmar que seja bom para a saúde, mas comer salame orgânico, sem aditivos químicos, vindo de fazendas próximas, fez muito bem para a minha mente – que ficou livre do sentimento de culpa.

 

Viagem - Rosana Zakabi - 04/07/2013


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